Aprenda a usar a raiva a seu favor

Atualizado: 12 de Nov de 2020



Por Marcio Flizikowski

A raiva é uma das emoções mais básicas e primitivas do ser humano. Todos sentem raiva em algum momento, mesmo as pessoas mais serenas. A diferença é como você usa esse sentimento. O mais comum é utilizar a raiva de forma destrutiva e negativa. Mas ela pode ser utilizada também de forma positiva e construtiva. Na verdade, a sensação de raiva é um sentimento forte e poderoso que - se for bem direcionado – pode levar a resultados extraordinários e transformações fantásticas.

O sentimento de raiva surge diante de situações de injustiça, perda, indiferença, traição ou acontecimento frustrantes, inesperados e desagradáveis. Nessas situações, as pessoas tendem a ‘perder a cabeça’ e tomar atitudes e fazer coisas ‘sem pensar’, com consequências muito danosas e que vão gerar arrependimento no futuro.

Muitas pessoas que ficam com raiva com facilidade buscam ajuda para principalmente controlar suas emoções e aplacar o sentimento de fúria. É importante compreender que sentir raiva é natural e que em muitas situações o melhor é se permitir sentir raiva, extravasar o sentimento, deixar toda a frustração, fúria ou ódio explodir.

Nesse momento, o segredo é aprender com esse sentimento, compreender suas motivações e gatilhos e, a partir daí, direcionar toda essa explosão emocional para resultados positivos e mudanças na sua vida. Essencialmente, as pessoas possuem dois sentimentos básicos: dor e prazer. Esses dois sentimentos são os grandes motivadores para qualquer ação das pessoas. Fugimos da dor e buscamos o prazer.

A raiva é um sentimento que surgem da dor. Algo que nos causa dor, nos leva a tristeza, resignação ou raiva, entre tantos outros sentimentos. A raiva liberta uma explosão de energia nas pessoas que infelizmente direcionam esse poder para a destruição. Isso ocorre porque a raiva é um sentimento muito forte e, por isso mesmo, pouco inteligente. A raiva aplaca nosso raciocínio.

Caso concreto

Um cliente me procurou para pedir ajuda pois ele estava desmotivado e em início de um processo de depressão. Ele havia terminado um relacionamento recentemente após descobrir a traição de sua parceira. Após a descoberta, ele relatou que muitas outras coisas surgiram sobre sua parceira. Que ela já vinha o traindo há tempos e, além disso, ele estava com o ‘nome sujo na praça’ porque ela utilizou seus cartões e seu nome em diversas falcatruas.

Quando conversamos pela primeira vez, ele era pura raiva. Ele queria se vingar dela a todo custo e estava gastando muita energia nesse processo – consumindo o pouco de motivação que lhe restava, levando a um esgotamento físico e mental sem resultados positivos.

Aos poucos, por meio de algumas técnicas de neurolinguística com hipnose foi possível ajudá-lo a canalizar essa energia da raiva que ele sentia para algo positivo. Algo importante nessa situação, é que o cliente não sentia raiva apenas da antiga parceira, mas dele mesmo, por ter se deixado enganar. Agora, relembrando da sua história, ele percebia como foi ingênuo e se deixou enganar facilmente.

Aproveitamos essa situação, para realizar diversas ações e técnicas de hipnose e neurolinguística para ele transformar sua experiência em uma aprendizado e também direcionar sua energia para objetivos positivos.

Utilizamos técnicas de posições perceptivas, ressignificação, ponte ao futuro, conversa entre as partes, ensaios mentais, definição de metas específicas. Sem perceber, ele passou a tirar o foco do relacionamento fracassado e da ex-companheira e começou a direcionar sua energia para o futuro, para novos projetos e novos horizontes.

Ele passou a conhecer outras pessoas, iniciou um novo projeto profissional, mudou para outro apartamento e foi realizando uma série de pequenas mudanças na sua vida potencializado pelas ações realizadas na hipnoterapia. Foram dois meses de sessões semanais que facilitaram a abertura de um novo caminho.

Pouco mais de três meses após a última sessão, o cliente me mandou uma foto com sua nova namorada. Ele disse que estava jantando com ela em seu novo apartamento e que estava muito feliz e muito grato pela ajuda. Ele não sabia se o relacionamento daria certo, mas sabia que podia se sentir amado, que podia realizar muitas coisas e que, principalmente, merecia ser feliz.

Tive que perguntar para ele sobre sua ex-parceira. De certa forma, fazia parte de todo o processo de mudança. Perguntei de forma genérica sobre ela e ele simplesmente disse ‘não faço a menor ideia’. Forcei um pouco a pergunta e ele complementou. ‘Bloqueei ela em todas as mídias sociais. Pouco tempo atrás, não sei como, ela me mandou uma mensagem. Apaguei sem responder e bloqueei o número’.

Perfeito, ele direcionou a sua raiva para algo construtivo, extravasou o sentimento em algo positivo a ponto da raiva se esgotar e se tornar em simples indiferença. Fiquei feliz com o resultado e por ter colaborado para a felicidade dele. Seria muito bom se todas as situações que provocam raiva fossem direcionadas dessa forma.

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