Entenda como a hipnose pode te ajudar

Por Marcio Flizikowski

Em 1997, o psiquiatra Henry Szachtman e o neurologista Henry Ranville realizaram estudos com pessoas em transe para medir as atividades cerebrais das pessoas por meio de exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET). Em transe hipnótico, os participantes dos estudos tiveram alucinações auditivas e colocaram as mãos em água fervendo.

Usando a tomografia por emissão de pósitrons, os dois perceberam que o neocórtex estava ignorando os estímulos externos. Os exames demonstram que sob transe hipnótico, ocorria um aumento de atividade no córtex cingulado anterior. Área associada a atenção e concentração e responsáveis pela regulação das emoções e aprendizado.

Os estudos também verificaram a redução da atividade em outras áreas: córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões, coordena as emoções internas e as ações, modera o comportamento social; córtex dorsolateral, responsável por decisões morais e de risco; e o precúneo relacionado à percepção consciente.

Análise dos resultados

Durante o transe hipnótico a atenção e concentração das pessoas é potencializada, com maior atividade do córtex cingulado anterior. Ao mesmo tempo, tudo que está fora do campo de atenção do indivíduo diminui sua influência chegando a ser completamente ignorado.

Essa é uma situação muito típica no transe hipnótico. A pessoa está focada no conteúdo trabalhado, seja um trauma, uma crença limitante ou qualquer outra situação, e todo o resto ignorado – inclusive outras pessoas, sons e estímulos diversos.

Esse estado permite uma maior assertividade no processo de mudança e tratamento da pessoa, possibilitando a assimilação de forma mais forte e eficiente de novas percepções por parte do indivíduo.

Ao mesmo tempo a redução da atividade do córtex pré-frontal, responsável pela moderação das emoções, permite ao indivíduo extravasar seus sentimentos. Por isso mesmo uma situação muito comum durante um transe hipnótico é a ab-reação extrema, com choro compulsivo e em muitos casos descontrole emocional da pessoa.

Apesar dessa situação ser um pouco assustadora no princípio, terapeuticamente, sob controle, esse momento de explosão emocional é fundamental para o processo de tratamento e transformação da pessoa. Essa catarse sentimental permite ao indivíduo libertar-se de traumas, mágoas, sentimentos negativos em geral que estavam represados em sua mente, muitas vezes gerando danos prático à vida da pessoa.

Aplicações práticas

Os resultados dos estudos de Szachtman e Ranville permitiram orientar uma definição de caráter científico para a hipnose. O aumento das atividades do córtex cingulado anterior, relacionado a concentração, indica que o estado hipnótico se caracteriza pela atenção extrema; a redução das atividades do córtex pré-frontal, relacionado as emoções internas, apontam que em hipnose a pessoa está em um estado de elevação de sensações emotivas e, finalmente, a diminuição das ações no precúneo, relacionados a percepção consciente, permite a ampliação da percepção inconsciente o indivíduo.

Essas observações levam a um conceito de hipnose como um estado de atenção extrema, com redução ou até desligamento dos estímulos externos, e ampliação do acesso ao inconsciente do indivíduo. Nsse estado a mente humana pode ser induzida mais facilmente a tratar tipos de problemas: alívio da dor, comportamentos indesejáveis e doenças psicossomáticas.

No primeiro caso estão situações de cirurgias em que a anestesia tradicional não é possível é necessária a redução da sensibilidade a estímulos externos ou casos de dores crônicas como fibromialgia; além de casos de mulheres em trabalho de parto e até em cirurugias dentárias.

Na segunda situação, a hipnose é eficaz para ajudar a reduzir vícios e comportamentos compulsivos - com a guarda baixa, o paciente pode ser convencido a abandonar o jogo ou as drogas – e mudar hábitos indesejados ou inadequados.

Finalmente, problemas com base emocional, de ordem psicossomática, como o vitiligo, têm no transe hipnótico um grande aliado. A terapia estimula a produção dos moduladores imunológicos, moléculas que se ligam às células de defesa e evitam que elas ataquem tecidos do corpo.

Nessa situação também se encontram problemas como depressão e ataques de pânico, em que a hipnose além de ajudar a pessoa a desenvolver recursos para atenuar crises relacionadas a essas situações, também atua no estímulo do cérebro e equilíbrio da produção de neurotransmissores como a serotonina ou noradrenalina.

Outros problemas de ordem psicossomática como fobias, traumas além de situações pontuais como timidez, problemas de relacionamento e outros podem ser tratados com grande eficácia pela hipnose.

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