Hipnose e dopamina: a parceria da motivação, foco e felicidade

Por Marcio Flizikowski, hipnoterapeuta e Master em PNL

Estudos apontam que existe um aumento natural da produção de dopamina nas pessoas em transe hipnótico

A dopamina é o neurotransmissor responsável pela motivação e foco. Ela é conhecida como a ‘molécula da motivação’ e é responsável pelo nosso sistema de prazer e recompensa. Para sentir prazer e satisfação produzimos dopamina.

Em níveis adequados, a dopamina nos faz sentir felizes, eufóricos, reduz a compulsão alimentar, aumenta nosso foco e até potencializa a coordenação motora. Por outro lado, a insuficiência de dopamina nos faz perder o foco, nos deixa desmotivados, apáticos e pode levar ou agravar quadros depressivos. Quando estamos com pouca dopamina, não sentimos prazer, nosso mundo parece incolor, temos uma incapacidade de ‘amar’ e não temos remorso pelo nosso comportamento.


Como produzir dopamina

Existem diversas formas de estimular a produção de dopamina pelo corpo. A alimentação é uma delas. A boa notícia é que tem muita comida gostosa que estimula a produção de dopamina. Produtos de origem animal em geral ajudam na produção da 'molécula da motivação'. Maçã, abacate (adoro), banana, beterraba, melancia além de vegetais de folhas verdes, café (sim, o fantástico café) e cacau (chocolate puro de cacau dá muito prazer, não?). Outras iguarias menos comuns como sementes de abóbora, gérmen de trigo, cúrcuma, vegetais marinhos e amêndoas são estimuladores da produção da 'molécula da motivação'.

A prática de exercícios também ajuda na produção de dopamina. O exercício físico é uma das melhores atividades para o seu cérebro. Exercícios aumentam a produção de células cerebrais, retardam o envelhecimento e melhoram o fluxo de nutrientes. A prática de atividade física também aumenta os níveis de serotonina e noradrenalina, os neurotransmissores do 'bem-estar'.


A ajuda que você precisa

Nesse momento você deve estar se perguntando: mas se o meu problema é falta de estímulo, como vou me motivar a fazer exercícios e me alimentar melhor? É um verdadeiro paradoxo. Exercícios e alimentação estimulam a produção da dopamina que aumenta sua motivação e foco, mas o que você está precisando é exatamente de motivação e foco para realizar atividades físicas e melhorar seu cardápio.

Para sua sorte existe uma alternativa para dar um empurrãozinho na sua transformação. Estudos em neurociência demonstram que apenas imaginar determinada ação provoca no nosso cérebro reações químicas similares a realização da ação de forma real.

O que isso significa? Se você imaginar realizar atividades físicas, tiver boas lembranças, pensar em coisas que te dão prazer e até mesmo imaginar se alimentando de forma adequada, seu cérebro agirá como se você estivesse realizando de fato essas atividades. Consequentemente, ele responderá a esses estímulos. Nesse caso, começará a produzir dopamina aumentando sua disposição, motivação e foco.

Pensar apenas não basta, é necessário pensar com o inconsciente, reduzir as barreiras críticas conscientes do nosso cérebro. Pensar com o inconsciente significa estar em um quarto estado de consciência similar ao estado de fluxo ou flow que uma pessoa alcança quando está muito focada e 'se desliga do mundo'. Você se concentra apenas naquele instante. É uma situação muito comum: nos concentramos em uma atividade específica e simplesmente ‘esquecemos do mundo’.

Você já deve ter passado por uma experiência desse tipo. Estava sentindo uma dor e começou a realizar uma atividade. A sua concentração na atividade foi tão grande que você ‘esqueceu’ a dor. Esses momentos são estados hipnóticos naturais e ocorrem com todo mundo. A boa notícia é que você pode alcançar esse estado de forma induzida por meio do transe hipnótico.


Hipnose generativa

Uma das práticas mais comuns na hipnose generativa é exatamente induzir o transe hipnótico da pessoa e sugerir que a pessoa imagine que está realizando atividades físicas, recupere boas lembranças e até mesmo imagine atividades radicais, para estimular também a produção de adrenalina. Essa sugestão leva a reação da mente e a produção de dopamina. A hipnose dá o passo inicial para ativar sua motivação e foco.

Existem diversas técnicas que podem ser usadas para potencializar a produção da dopamina. A técnica mais comum é o ensaio mental que consiste em fazer a pessoa imaginar situações com potencial para estimular a produção de dopamina. Outras técnicas também são muito eficientes como posições perceptivas, uso de submodalidades e até a regressão para dessensibilizar lembranças negativas e potencializar memórias positivas.

As técnicas adequadas e estratégias elaboradas de hipnose generativa potencializam a produção da dopamina, que inicia um círculo virtuoso estimulando a mudança de hábitos, a prática de exercícios, uma alimentação melhor e o aumento da produtividade. Em consequência, essas atividades levam a produção de mais dopamina, aumentando a motivação, a eficiência e a felicidade e o círculo se repete continuamente.


O que diz a ciência?

Apesar dos estudos ainda serem poucos, a ciência já começa a apontar o que já é conhecido pelas pessoas: a eficácia da hipnose no tratamento de quadros em que uma das causas é a baixa taxa de dopamina. O estudo “Hipnose como prática complementar no controle da dor, ansiedade e depressão em pacientes oncológicos do trato digestório” apontou que os pacientes submetidos a tratamento com hipnose apresentaram uma queda substancial muito maior no EVA (Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão) em relação a pacientes que não passaram por hipnoterapia.

O estudo “O diagnóstico da depressão pós parto e o uso da hipnoterapia pós cognitiva no tratamento” apontou que o uso da hipnoterapia, em conjunto com fármacos, apresenta diferença substancial na qualidade e recuperação dos pacientes em relação aos pacientes que utilizaram apenas fármacos.

Segundo Benomy Silberfarb, autor do livro Hipnoterapia Cognitiva, a base do uso da hipnose para a produção de dopamina consiste em “utilizar técnicas de visualização imagética do futuro, da sua imagem pessoal projetada positivamente, do mundo à sua volta e com as pessoas as quais se relaciona, com o objetivo de combater as crenças sobre predição negativa e ansiedade antecipatória, com as técnicas de visualização, o paciente imaginando o cenário positivo, sentindo a satisfação, vai eliminando gradativamente a depressão e todos os seus sintomas”. Segundo Silberfarb, a pessoa na hipnoterapia percebe que pode respirar suavemente, longa e profundamente e que é capaz de relaxar, uma ideia que para ele parecia impossível num primeiro plano.

Com relação ao uso da hipnoterapia para quadros em que uma das características é a baixa taxa de dopamina é fundamental que o sujeito detenha confiança para ter a capacidade de experimentar emoções e situações prazerosas que servirão como suporte para estimular a produção do neurotransmissor da felicidade. Muitos estudos já apontam que existe um aumento natural da produção de dopamina nas pessoas em transe hipnótico. Com a aplicação de técnicas adequadas se consegue potencializar os estímulos para a produção da 'molécula da motivação' aumentando substancialmente a sensação de disposição, foco e até felicidade das pessoas.

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