Hipnoterapia ajuda pessoas a lidar com a Pandemia

Ansiedade, depressão, distúrbios do sono, compulsão alimentar ou falta de apetite aumentaram substancialmente durante o período de isolamento social e muitas pessoas estão encontrando excelentes resultados com o uso da hipnose

O Ministério da Saúde divulgou levantamento recente que 41% da população do país passou a apresentar problemas relacionados a ansiedade como dificuldade para dormir, compulsão alimentar entre outros. Um terço da população relatou falta de interesse e motivação e outro terço disse sentirem-se deprimidos.

Wellington Briques, médicos e diretor da Spectrum Therapeutics, explica que "antes da Covid-19 já éramos o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros", o equivalente a quase um décimo da população. Segundo o médico, um dos caminhos é divulgar mais o assunto para que as pessoas possam procurar ajudar e saber que existem soluções para seus problemas.

Solução reconhecida e eficaz

Uma das soluções mais procuradas e que vem apresentando grande eficácia é a hipnoterapia. A hipnose é uma técnica terapêutica que ajuda as pessoas a reaprender, mudar seus hábitos e superar situações que lhes causam sofrimento. A prática é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil desde 1999. Em 2018, a hipnoterapia foi incluída na Política Nacional de Práticas Integrativas pelo Ministério da Saúde.

Em outros países a prática já é reconhecida há mais tempo. Associação Médica Britânica reconhece a hipnoterapia como prática desde 1955, a Associação Psiquiátrica Americana reconhece a hipnose desde 1961 e a Organização Mundial da Saúde incluiu a técnica no rol de práticas terapêuticas em 1974.

Como funciona

A sessão de hipnoterapia dura cerca de uma hora e meia, sendo que a maior parte do tempo o cliente está em estado de consciência normal, apenas nos momentos de indução ao transe hipnótico é que são realizadas as chamadas intervenções terapêuticas. Durante o transe hipnótico, o profissional estimula no cliente a busca de soluções, mudanças de percepção e estímulo de respostas positivas.

Estudos apontam inclusive que durante o transe hipnótico, hormônios e neurotransmissores como dopamina e oxitocina podem ser estimulados, aumentando sua produção e provocando mudanças nos estados químicos das pessoas. A produção desses neurotransmissores e hormônios está ligada diretamente com estado emocionais como tristeza e alegria e representam um grande potencial de mudança em situações de depressão, ansiedade, pânico, insegurança e desmotivação.

A ansiedade pode estar relacionada a eventos traumáticos do passado ou a gatilhos do presente e até mesmo as duas situações podem estar relacionadas. Por meio da hipnose, o profissional ajuda a pessoa a acessar seu inconsciente, compreender melhor o trauma e seus gatilhos e estabelecer novas conexões neurais. Basicamente, o trabalho consiste em primeiro desestabilizar as sinapses (conexões neurais) do hábito atual que desencadeia a cria de pânico ou ansiedade ou que estabelece o quadro de depressão ou desmotivação. O passo seguinte é criar novas conexões relacionadas a hábitos desejados, comportamentos mais adequados e estimulantes para combater o quadro atual.

Estabelecida a nova situação, passa a se estimular as novas sinapses para que elas se fortalecem e se tornam um hábitos, enquanto que se enfraquece, desestimulando, as conexões antigas que brando o círculo vicioso.

Experiência

Karina Munhoz, 31 anos, vendedoram estava em um quadro que ela mesmo definiu como de "depressão, insegurança e seguidas crises de pânico". Após buscar diversos médicos e tratamentos, buscou a hipnose. "Senti mudanças com outros tratamentos, mas era muito pouco e sempre tinha uma recaída. Após começar a hipnoterapia, tudo parece que foi mudando, cada vez mais rápido. Hoje, pratico auto-hipnose que aprendi com meu terapeuta e sinto que estou no comando. Quando percebo que uma crise de tristeza ou desânimo vai me atacar, eu deixo, trabalho e rapidamente resolvo a questão e estou de novo motivada", explica a vendedora.

Situação parecida aconteceu com Affonso Gomes de Souza Lemos. Aos 40 anos de idade ele estava muito feliz, pois sua empresa estava estabilizada e ele pensava em "aproveitar os frutos do seu trabalho". Ele conta que quando começou a pandemia acho que seria passageiro, após três meses, os lucros caíram, empregados foram demitidos e ele entrou em uma situação de desespero. "Um amigo me indicou a hipnose. Quando comecei não acreditei muito". Afonso conta que fazia sessão toda semana, cerca de duas horas no máximo, e aos poucos começou a mudar sua perspectiva sobre a realidade. "Mais que isso, comecei a repensar meu negócio, a encontrar novas soluções e hoje estou muito tranquilo, não estou faturando tanto quanto antes, mas estamos bem melhor e aos poucos crescendo mais em novas atividades. A hipnose me ajudou a mudar perspectiva de toda situação e até meus relacionamentos familiares melhoraram."

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